Coração de educadora social
- Instituto Algar

- 19 de mai.
- 5 min de leitura
Aline Miguel se despede do Instituto Algar depois de 13 anos de relacionamento nos programas Transforma e Talentos de Futuro
Ela é cineasta por formação, mas tem coração de educadora. Essa é uma das muitas maneiras de contar um pouco sobre a trajetória de Aline Miguel, parceira do Instituto Algar há 13 anos.
Em 2026, ela parte para uma nova jornada profissional. Na bagagem, leva conhecimento e o desejo de mudança. Para trás, deixa sua marca na vida de crianças, adolescentes, jovens e adultos que participaram dos programas Transforma e Talentos de Futuro.
Agradecemos o que foi construído e desejamos muito sucesso nos próximos passos!
Agora, vamos olhar para trás e ver como tudo começou.

Cine Olhar
O primeiro contato de Aline Miguel com projetos sociais veio com o Cine Olhar, desenvolvido pelo EmCantar com patrocínio do Instituto Algar. O convite partiu da cineasta Iara Magalhães, uma de suas mentoras.
As oficinas de produção audiovisual eram oferecidas a crianças e adolescentes que moravam no entorno do Cesag - Centro Social Alexandrino Garcia - e participavam de atividades educativas no contraturno escolar.
A gente explorava todos os gêneros cinematográficos, mas o que as turmas mais gostavam era de ficção. Eles criavam roteiros, figurinos, interpretavam, filmavam, editavam e contavam suas histórias.
Anualmente, os filmes feitos pelos alunos eram exibidos na mostra Alvorada Cultural, um evento artístico aberto para a população dos bairros próximos ao Morumbi e Alvorada.
Talentos de Futuro
A qualidade do trabalho nas oficinas rendeu um convite para que Aline se tornasse educadora social. Inicialmente, ela participou de uma iniciativa voltada para sustentabilidade. A partir de 2017, passou a participar de diferentes ações do programa Talentos de Futuro.
Para cumprir bem o papel, ela desenvolveu novas habilidades, tanto no universo da educação quanto nas competências a serem desenvolvidas pelos participantes. “Foi preciso estudar mais, aprender coisas novas, sair da zona de conforto. Eu usei minha formação audiovisual, trazia filmes para discutir, fazia dinâmicas de expressão corporal, mas foi um universo diferente que se abriu para mim”, lembra.

No Talentos, Aline participou também das edições voltadas para tecnologia da informação (TI) e do Mulheres de Fibra, realizado pela primeira vez em 2025. “São pessoas fortes, que querem recomeçar a vida e precisam de coragem para mudar e seguir um novo caminho profissional, assim como vou fazer agora”, diz Aline.
“Uma aluna veio conversar comigo um dia e falou sobre algo que eu disse no passado sobre coragem. Todos nós temos medo do novo. Mas é importante enfrentar isso para seguir em frente e dar passos maiores”.
Terceiro setor
Desde que saiu da faculdade, Aline Miguel só trabalhou em projetos do terceiro setor. Além dos programas do Instituto Algar, ela presta serviços para outros projetos, com oficinas de audiovisual e desenvolvimento humano. “Passei 13 anos nesse universo e aprendi bastante. Antes, eu nem sabia dessa possibilidade, achava que era apenas para quem quer ser voluntário. Mas temos um mercado de trabalho e muitas oportunidades de crescimento pessoal e profissional”.
Aline acredita que mais de mil pessoas participaram das atividades em que ela atuou. Em sua opinião, trata-se de uma oportunidade que gera conexão forte com as pessoas, que buscam conselhos, querem conversar sobre carreira e oportunidades de futuro.
A gente vai muito além da sala de aula e das oficinas. De uma forma ou de outra, existem impactos na vida das pessoas.
Para ela, o Instituto Algar contribuiu para que a comunidade passasse a diferenciar as ações de caridade daquelas que levam à transformação social, que são contínuas e voltadas para melhorar a qualidade de vida.
Legado
O relacionamento entre Aline e o Instituto Algar tem muitos momentos de reconhecimento e orgulho. Para ela, ver o desenvolvimento das crianças e adolescentes representa o resultado de um trabalho bem feito. “Depois das oficinas, era comum que os jovens viessem conversar com a gente e dizer como eles mudaram por causa do aprendizado. Passaram a trabalhar em equipe, respeitar o outro, valorizar produtos culturais”, afirma. “Muitos chegavam sem sonhos e saíam com a cabeça cheia de planos para o futuro”.
Um desses sonhos era a participação no evento Alvorada Cultural, onde os filmes produzidos eram apresentados para os moradores da vizinhança em tela grande, para que todos pudessem vivenciar a experiência do cinema. Era um dos momentos de maior expectativa dos participantes das oficinas do Cine Olhar.
Sobre o Talentos de Futuro, Aline conta que o convite veio da consultoria Partilha, em 2017. Para ela, foi uma nova descoberta profissional, de um caminho que nunca havia pensado em trilhar: o de promover o desenvolvimento humano. O feedback positivo esteve presente o tempo todo, bem como os laços de confiança que se estabelecem. “Foi um processo maravilhoso, uma descoberta profissional que me abriu novos caminhos”.
Sobre os beneficiados pelas oficinas, foram muitas histórias marcantes. Em uma delas, um jovem que fazia o programa de TI deu um depoimento na formatura sobre o quanto ele se sentiu importante durante o processo, simplesmente por ter sido ouvido. A partir do curso, ele pediu demissão do emprego e foi em busca de uma nova oportunidade, pois percebeu que merecia ser valorizado profissionalmente.
Revolução social
A opção pelo terceiro setor pode trazer muitas oportunidades e desafios para jovens profissionais. Para Aline, trouxe a vantagem de se desenvolver ao mesmo tempo em que ajudava a desenvolver competências em outras pessoas.
Não é um emprego normal, onde você tem um horário, executa suas tarefas e vai embora. Existe muito envolvimento, os alunos nos procuram ao longo do processo, conversam sobre a vida e as dificuldades.
Uma das contribuições do Instituto, em sua percepção, foi mudar a maneira como as pessoas enxergavam a participação das empresas na sociedade. Foi preciso desmitificar o trabalho social, as oficinas. Não se trata de fazer caridade, mas de promover uma revolução social, onde ocorre o empoderamento, se desenvolve o senso crítico, a possibilidade de ter acesso à cultura.
Fazer sempre o melhor

Em 2026, Aline Miguel vai mudar de cidade e de profissão. Por isso, passou a refletir sobre seu legado, assim como faz nas oficinas. Pelo que ouviu ao longo do tempo, ela acredita ter contribuído para um olhar mais empático e respeitoso em suas relações com as pessoas em formação.
E o que ela leva de aprendizado? Acredita ter desenvolvido uma visão mais humanista, coletiva.
Vi ações de crianças que tinham tudo para ser outras coisas, mas decidiram ser melhores. Acredito que a gente sempre pode evoluir. Nesses 13 anos, sempre procurei deixar o meu melhor em tudo o que fiz”.
Mais do que projetos e oficinas, Aline deixa pessoas transformadas — e essa é a marca mais bonita que alguém pode deixar!



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